LENDO SONHOS


Um colunista da Revista Época afirma que a Presidente Dilma "costuma ler os jornais e revistas...e se debruça mesmo sobre o texto dos colunistas mais agressivos...", diferente, segundo o mesmo colunista, do ex-presidente Lula que "chegava a passar dias sem ler os jornais".
Essa notícia me chama atenção porque talvez esse comportamento do ex-presidente Lula seja um dos motivos pelos quais ele alcançou índices tão expressivos de aprovação popular. 
É sabido que a  maioria da mídia brasileira, em particular os grandes grupos de comunicação, não representam o pensamento e muito menos, os interesses da população brasileira. Lula, brilhantemente, ignorou a mídia manipulativa, dialogou diretamente com o povo e derrotou a oposição, inclusive elegendo a sua sucessora.
Lula, o operário, tratado por essa mídia manipulativa como semianalfabeto, leu aquilo que era mais importante: os sonhos da população. A presidente Dilma, se for verdade o que diz o colunista da Revista Época, faria melhor se fizesse como Lula - não vale a pena o desgaste e o aborrecimento de acompanhar o que divulga a grande mídia. Essa tarefa inglória deve ser transferida para os profissionais de comunicação do governo, capazes de avaliar o que merece e o que não merece resposta, o que deve e o que não deve ser feito, em termos de relação com a mídia. 
Jamais nossa presidente vai ser tratada pela grande mídia com o respeito que merece, como dirigente máxima do País, como mulher ou como cidadã, principalmente a partir de agora que o PT corajosamente aprovou, no seu IV Congresso, a regulamentação do setor e vai mobilizar sua militância para fazer o debate com a sociedade.
Aliás, no que diz respeito a esse tema, a primeira questão a ser colocada claramente para a população é o fim da chamada propriedade cruzada dos meios de comunicação, que no Brasil é imoral. Um mesmo grupo pode controlar TV aberta e fechada, radio AM e FM, jornais, revistas, provedores de internet, portais, fabricação de componentes, empresas de telefonia, satélites de comunicação, enfim, todos os ramos da comunicação de massa e das telecomunicações. 
Nos Estados Unidos, tido como a maior democracia do planeta, a propriedade cruzada é proibida. Faz parte do processo democrático a pluralidade de opiniões o que o sistema de propriedade cruzada não permite. Se isso for claramente colocado para a população, através dos meios alternativos e do debate da militância, quem sabe não conseguiremos esse avanço para a consolidação da democracia brasileira. 
E, na minha modesta opinião, podemos começar sugerindo a presidente Dilma não se deixar levar pelo que diz a grande mídia. De minha parte, começo esse debate lançando a seguinte campanha:  #viva sem mídia