Existem alguns temas que são execrados pela mídia. O principal deles, obviamente, é a sua regulamentação ou o agora chamado marco regulatório. A legislação brasileira que trata do assunto, por ser muito antiga, uma parte ainda da época da ditadura, não acompanha os avanços tecnológicos e muito menos, os avanços políticos e sociais.
Entretanto, esse tema nunca consegue entrar na agenda de debates públicos de forma positiva. Agenda essa, imposta pela própria mídia. Sempre que o assunto vem à tona, a própria mídia trata de desqualificá-lo e procura confundir a opinião pública.
O principal argumento usado é de que se pretende, ao discutir o marco regulatório, impor algum tipo de censura. Grande falácia. Censura é o que temos hoje, ao usurpar o direito à pluraridade de opiniões, restrita aos proprietários do grandes conglomerados de comunicação.
Em todos os países democráticos existe um marco regulatório que compreende o serviço de comunicação como um direito da sociedade à informação.
No Brasil, o cidadão é compreendido pela mídia como consumidor. Portanto, com o direito apenas de consumir ou não. Esse é um viés do modelo de comunicação onde a exploração comercial se sobrepõe ao serviço público, oriundo das origens da implantação da televisão no Brasil, na década de 50 do século XX e reforçado pela ditadura militar que se instalou no Brasil, na década de 60 e que forjou uma forte parceria com a Rede Globo.
Para enfrentar esse debate faz-se necessário o conhecimento da história da mídia no Brasil, compreendendo a sua relação com o poder político e econômico.
Aqui neste espaço estamos nos propondo a fazer isso, na perspectiva de contribuir para qualificar o debate e, no limite das possibilidades de uma rede social, evitar a distorção dessa discussão, tão necessária para a consolidação da nossa democracia.