Estamos, a pouco mais de quinze dias do segundo turno das eleições presidenciais, assistindo a um debate maniqueísta, eleitoreiro, oportunista e coordenado pelo candidato do PSDB sobre um assunto que não diz respeito diretamente à Presidência da República, salvo sob a ótica da saúde pública, porém esse não é o eixo do debate. Como o aborto não está sendo discutido sobre o prisma da saúde pública, é importante refletir quanto ao que está por trás dessa manobra da campanha tucana.
É sabido por todos, e o censo comprova, o significativo crescimento dos evangélicos no Brasil, um País considerado, até bem pouco tempo, um dos mais católicos do mundo.
Nos últimos anos, a igreja católica começou a perder fiéis e não soube enfrentar suas dificuldades. Um dos entraves para discutir o assunto foi a divisão interna entre padres conservadores e progressistas. Aos poucos, a ala conservadora foi assumindo o controle e expurgando os progressistas. Esse setor afastou-se das populações mais carentes e distanciou seu discurso da realidade social, abrindo cada vez mais espaço para o estabelecimento de outras religiões. Por outro lado, faz parte da tradição da direção da igreja católica no Brasil combater as outras religiões. Um exemplo disso, no século XX, foram as campanhas contra o umbandismo e o espiritismo.
No governo Lula, conforme estabelece a Constituição, foi respeitado o Estado laico e o exercício cotidiano das práticas democráticas, em todos os setores, sempre dentro dos limites da legalidade.
Agora, na campanha eleitoral, a igreja católica conservadora vê a oportunidade de conter, através da utilização do aparelho de Estado a expansão das igrejas evangélicas e romper com este Estado laico. Ficou público, desde a campanha de 2006, a relação da cúpula tucana do PSDB paulista com os setores mais reacionários da igreja católica, particularmente, a Opus Dei.
Por isso, fiquemos em alerta, independente do culto que professamos, para defender o Brasil do obscurantismo e do retorno a práticas autoritárias de Estado.
Afinal, queremos ou não um Estado laico e radicalmente democrático?
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