quarta-feira, 13 de junho de 2012


A DECISÃO DO PSB PODE FORTALECER A UNIDADE INTERNA DO PT

O advogado Elmano de Freitas é, sem mais sombra de dúvida, o candidato do PT para disputar a Prefeitura de Fortaleza. O processo de escolha do nome do candidato foi demorado. Em primeiro lugar, a Prefeita demorou em definir o nome que apoiaria, em uma extensa primeira lista de treze nomes, onde o de Elmano passou meio despercebido. Depois, consensuada a idéia de que a Prefeita deveria coordenar o processo interno e externo, o jornalista Waldemir Catanho, seu braço direito, foi aceito por todas as forças do PT como o candidato natural que aglutinaria o partido. Inexplicavelmente, Catanho não aceitou a indicação.
Ante a desistência de Catanho, todos os pretensos candidatos, numa nova lista já reduzida a cinco nomes, recolocaram suas candidaturas e consideraram o jogo zerado. Iniciaram-se então novas rodadas de conversas internas sem que a Prefeita manifestasse claramente o nome de sua preferência, alimentando esperanças em todos os postulantes, que afirmavam querer contar com seu apoio.
A prefeita buscou uma saída política que agrupasse todas as correntes do partido em torno do nome de sua preferência. Sua corrente defendia realização de prévias, com a certeza de ganhar. A prefeita temia seqüelas nesse processo. Conseguiu acordar com todos os pré candidatos que a escolha se daria através de encontro de delegados, processo mais restrito e, portanto, menos desgastante.
Com isso ganhava tempo para convencer todos a aceitar o nome de sua preferência. O encontro foi adiado ao limite. A estratégia teve 99% de sucesso. Somente o deputado federal Artur Bruno resistiu e teve parcos votos no encontro municipal.
Todo esse processo, que se arrastou por meses, acabou por prejudicar a discussão com os aliados preferenciais – PSB, PMDB e PCdoB.
Sem unidade interna como sentar para dialogar com os atores institucionais externos que pressionavam para intervir na escolha do nome? Como na política não há vácuo, abriu-se espaço para todo tipo de articulação e reação. Muitas tensões e contradições acumuladas ao longo dos anos da gestão municipal vieram à tona. Uns apostando na ruptura com o governador, outros apostando em supostos baixos índices de popularidade da prefeita e outros ainda prevendo um guerra interna no PT.
Agora, o jogo está claro e salvo uma mudança radical na posição do PSB, a aliança está encerrada mesmo – para o PT, é Elmano ou Elmano.
As razões apresentadas pelo PSB para romper a aliança não parecem se apresentar, aos olhos de militantes e simpatizantes do PT como razoáveis. Algumas lideranças do PSB simplesmente vetam o nome de Elmano de Freitas, desconsiderando o processo interno do PT e outras desqualificam o projeto em curso, que bem ou mal, não é só da Prefeita, mas do PT e de ex-aliados que inclusive ainda integram a gestão. Essas críticas se mostram passionais, refletindo apenas o clima pré-eleitoral.
O fato é que a conjuntura política, nesse momento, ainda está sob o impacto do rompimento.
Os próximos passos estão direcionados para a construção de novas alianças. Quem vai seguir com o PT, quem vai seguir com Cid? O governador afirma que vai dialogar com os catorze partidos de sua base aliada, quase todos também da base aliada da prefeita. Elmano contava com o apoio de seis partidos. O que vai acontecer, não é ainda possível determinar. A política é uma atividade de risco, pode-se perder ou ganhar qualquer que seja o lado escolhido. E às vezes, quando pensamos ter ganhado, descobrimos ter sido uma vitória de Pirro.
Só há, até agora, uma tendência em que arriscaríamos apostar, no jogo da sucessão: a decisão do PSB tende a consolidar a unidade interna e a mobilizar a militância do PT que ainda não havia se empolgado com a candidatura de Elmano. Isso me lembra a eleição da Dilma, também chamada à época, de “poste” e os que não conhecem como funciona o imaginário petista, diziam que não mobilizaria a militância. A história mostrou outra coisa.
Se isso é suficiente para ganhar a eleição, não há como prever. Cada eleição guarda suas características particulares. Mas a militância deve ir às ruas mobilizada pelo sentimento petista. 

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