terça-feira, 12 de outubro de 2010

A política é dinâmica. Atenção eleitores mineiros e brasileiros em geral

Veja o que pensava Itamar Franco, ex-presidente do Brasil, sobre Serra, em entrevista, em outubro de 2002. Hoje, os mineiros tem que pensar duas vezes sobre seu voto. Itamar, um ex-presidente que assumiu num momento de extrema crise no Brasil, não pode negar suas palavras, que foram públicas.
Por outro lado, os interesses particulares o levaram a estar em cima do muro no atual processo eleitoral.
Eleito, em 2010, senador de Minas, com o apoio do PSDB, não se expõe na atual disputa eleitoral. Entretanto, uma avaliação política mais conseqüente, exige das figuras públicas que tenham lado. Os eleitores mineiros e brasileiros em geral, não merecem ser enganados.
O que se encontra hoje, por mais que muitos, em particular a mídia conservadora de caráter udenista, tente escamotear, são duas antagônicas concepções ideológicas: de um lado, um projeto democrático, popular e progressista, colocado com toda clareza. Nesse sentido é bom destacar que a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff afirma claramente que o objetivo principal é a erradicação da pobreza. De outro lado, a candidatura de José Serra, que apresenta propostas pontuais, de caráter populista, não deixando claro qual projeto estratégico defende.
Como a mídia pontua o debate e esta, majoritariamente, ou pelo menos as de maior poder de circulação e audiência estão com Serra, o debate fica muito prejudicado. A maioria da população não tem parâmetros para uma comparação dos projetos, ficando refém da avaliação de algumas propostas que, no conjunto da obra, não apresentam a verdadeira diferença entre os dois candidatos.
Melhoria da saúde, da educação, da segurança, da oferta de emprego e de habitação, do aumento do salário mínimo e das aposentadorias, da assistência pré e pós natal, do investimento em infraestrutura, entre outros aspectos, estão diretamente vinculados à concepção do papel do Estado e à compreensão da participação da sociedade no processo de construção de uma nação. Esse é o debate que sentimos falta. Por isso, as personalidades públicas, como Itamar Franco, entre muitos outros, tem que dizer de que lado estão. A consolidação da democracia no Brasil não permite tergiversações num momento de segundo turno em que está em disputa o futuro da nossa nação.


ENTREVISTA DE ITAMAR FRANCO EM OUTUBRO DE 2002- 15/10/2002- agência estado

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, soltou o verbo hoje contra o presidenciável do PSDB, José Serra, acusando-o de disseminar "inverdades" e de ter "bombardeado" o Plano Real no seu início. "Ele nunca apoiou o Plano Real. Posso dizer porque fui presidente da República. Desde o início ele tentou bombardear o plano", declarou Itamar, ao chegar a Brasília, onde reúne-se amanhã com o petista Luiz Inácio Lula da Silva e depois com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu até em defesa do presidente, ainda que de forma indireta.

"O candidato Serra quer viver à sombra do presidente, mas tem medo de sair às claras, ao sol, e dizer: 'Sou o candidato do presidente'. Ele acha isso uma coisa vergonhosa. Por que ter vergonha de ser o candidato do presidente?", questionou o governador mineiro. Segundo Itamar, "se Serra fosse um homem verdadeiro, deveria defender a política deste governo, ao qual serviu por oito anos, ou dizer o que realmente pensa".

Ressaltando que não criticava a pessoa de Fernando Henrique, Itamar afirmou que a atual política econômica resultou em "empobrecimento dos municípios, dos Estados e da população". Acusou o ministro da Fazenda e o Banco Central de tentarem esconder os erros cometidos e obrigar os candidatos à Presidência a seguirem o mesmo caminho.

"Há um desvio na rota da ordem econômica que vai precisar ser alterado", disse o governador. "Chega hora em que o povo quer mudar." Cabo eleitoral de Lula, para quem gravará mensagens de apoio amanhã, Itamar prometeu que "em Minas, o Serra vai ter uma derrota pior do que teve no primeiro turno". Segundo ele, o arco de alianças em torno do petista deve se ampliar neste segundo turno em Minas, onde Lula já obteve 53% dos votos válidos.

O governador disse ainda que o presidenciável do PSDB mente ao dizer que criou os medicamentos genéricos, porque isso teria ocorrido durante seu mandato, através de um decreto. "Ele deveria ter a decência de dizer que os genéricos surgiram no governo Itamar, não pelo Itamar, mas pelo grande ministro da Saúde que foi o Jamil Hadad", afirmou Itamar.

O ex-presidente também queixou-se da afirmação feita por Serra durante o primeiro turno, atribuindo a Itamar a privatização da Light e da companhia elétrica do Espírito Santo, ocorrida no governo Collor de Mello, quando Itamar era seu vice. ‘Ele falou uma deslavada inverdade, não sei um vocábulo mais forte do que este‘, disse o mineiro. ‘Eu não privatizei em meu governo nenhuma empresa de energia elétrica.‘

Amanhã Itamar reúne-se com o presidente para discutir a situação financeira do Estado. Segundo ele, a dívida de Minas Gerais era de R$ 18 bilhões quando ele assumiu o governo estadual e, quatro anos depois, já chega a R$ 28 bilhões apesar de já ter pago R$ 8 bilhões ao Tesouro Nacional. Segundo ele, o vice de Lula, José Alencar, tem um projeto que reduz o comprometimento dos gastos dos Estados com a dívida de 13% da receita líquida para 5% e que poderá ser adotado no caso de vitória do petista.

Um comentário:

  1. A coisa mais importante dessa entrevista é a afirmacao do Itamar de que o Serra era contra o Plano Real.

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