QUEM TEM MEDO DA COMPARAÇÃO?
O ex-ministro de FHC, Pedro Malan se mostrou incomodado com o fato de José Serra,candidato de seu partido à Presidência da República, não defender a política econômica do projeto que representa e publicou artigo no Estadão, expondo sua visão.
Inicialmente, de forma descortês como não seria de se esperar de um artigo opinativo sério, envereda na estratégia da campanha petista e qualifica o Presidente Lula de arrogante e personalista.
Há sim, na estratégia eleitoral da campanha de Dilma Rousseff, o objetivo de comparar os dois projetos, que são antagônicos, na sua perspectiva ideológica – a propósito, o debate da Bandeirantes deixou isso claro.
É importante destacar que o governo Lula não tem nenhuma dificuldade em enfrentar esse debate porque os dados estatísticos sobre os oito anos deste governo são públicos, diferente do que acontecia antes e os pesquisadores sabem disso – havia muita dificuldade para se conseguir informações confiáveis durante o andamento do governo anterior.
Malan usa um argumento frágil, mas que aponta sua percepção das políticas públicas, afirmando que, segundo o economista Marcos Lisboa “Não se deve medir um governo ou uma gestão pelos resultados obtidos durante sua ocorrência e, sim, por seus impactos no longo prazo, pelos resultados que são verificados nos anos que se seguem ao seu término. Instituições importam e os impactos decorrentes da forma como são geridas ou alteradas se manifestam progressivamente…”, para justificar a falta de resultados do projeto do PSDB nos seus oito anos de governo brasileiro.
Ora, sob esse argumento podemos dizer a Malan que também não julgue os resultados do Governo Lula e espere o devido distanciamento histórico para fazer a crítica.
Há ainda outros pontos do artigo que merecem a devida resposta: o primeiro deles é sobre a privatização dos bancos públicos. Malan nega que a política de privatização incluía a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. Mas basta uma pesquisa nos jornais da época para se recuperar a história. Houve uma reação muito forte dos sindicatos de servidores dessas instituições e das forças progressistas e de esquerda para evitar que a Petrobras virasse PETROBRAX e que os bancos federais fossem privatizados. E graças a essa reação hoje temos o Banco do Brasil, a Caixa econômica, o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia e o BNDES como os grandes indutores do desenvolvimento econômico do País no Governo do Presidente Lula. Embora Malan não queira fazer comparação, não podemos deixar de lembrar que o volume de recursos aportados por esses bancos para financiamento do setor produtivo nacional na gestão de Lula supera, na casa dos bilhões o volume investido no governo anterior.
Outro aspecto importante é que Malan discorda que o País estava à beira do abismo quando Lula assumiu, mas ele mesmo justifica “que a inflação estava em 12,5% em 2002 e que o câmbio disparou, expressando receios quanto ao futuro”.
Também é bom lembrar ao Malan que o PROER, dinheiro aportado pelos contribuintes foi usado para salvar os bancos privados que estavam insolventes e que depois que o governo FHC usou nosso dinheiro, esses bancos foram vendidos para grupos estrangeiros, ficando o sistema bancário brasileiro ancorado fundamentalmente nos bancos públicos.
É preciso também dizer ao Malan que o governo FHC não resolveu o problema dos estados e que o desenvolvimento das economias regionais está diretamente vinculado aos investimentos que o governo federal faz nos estados, construindo escolas, hospitais, postos de saúde, creches, rodovias, casas, clínicas odontológicas e muitos outros equipamentos e serviços que são custeados, em 50% pelo Governo Federal – coisa que não acontecia anteriormente.
Malan desconhece ainda o aumento real do salário mínimo no Governo Lula, quando a luta da CUT era para que chegasse pelo menos a cem dólares. Hoje é mais de duzentos dólares.
Por último é preciso lembrar ao Malan que na área social, particularmente na segurança alimentar, papel fundamental do programa Bolsa Família, não há mesmo termo de comparação entre os dois governos porque não havia uma política efetiva no governo anterior que possa ser utilizada como parâmatro.
E para encerrar temos que mais uma vez aspear Malan dizendo que “as pessoas que têm memória e honestidade intelectual” devem fazer uma profunda reflexão: porque o PSDB tem tanto medo da comparação?
Fátima Bandeira
Jornalista
Possibilidade Zero de fazer comparações porque simplesmente os cenários construídos nas duas administrações são completamente antagônicos. Um, do tucanaçu, pregava a concentração de renda e defendia com todas as garras as privatizações em beneficio próprio, a outra, pelo contrário, defende com unhas e dentes a parcela menos favorecida da população, ate então esquecida pela administração anterior acostumada a dar esmolas e não direitos constitucionais como a administração do PT. Por isso insisto, não há comparação.
ResponderExcluir